terça-feira, 19 de abril de 2011

Os principais métodos de pesquisa sociológica

Os principais métodos de pesquisa sociológica[1]

Passemos agora a observar os diversos métodos de pesquisa comumente empregados pelos sociólogos em seu trabalho.

Etnografia

A etnografia é o estudo de pessoas e de grupos, em primeira mão, durante um período de tempo, que utiliza observação participante ou entrevistas para desvendar o comportamento social. A pesquisa etnográfica procura revelar significados que sustentam ações sociais; é feita através do envolvimento direto do pesquisador nas interações que constituem a realidade social para o grupo em estudo. Um sociólogo que esteja realizando uma pesquisa etnográfica pode trabalhar ou viver com o grupo, organização ou comunidade durante um período de meses ou mesmo anos, geralmente assumindo um papel ativo nas atividades diárias dessas pessoas, observando o que acontece e pedindo explicações, ou buscando insights das decisões, das ações e dos comportamentos.
Um etnógrafo não pode simplesmente estar presente  em uma comunidade. Ele deve explicar e justificar sua presença aos seus membros. Deve ganhar a cooperação da comunidade e mantê-la durante um certo tempo se quiser obter algum resultado vantajoso. Esse processo de ser aceito pode ser demorado e difícil, porém, com o tempo, os etnógrafos muitas vezes conseguem desenvolver relacionamentos de confiança com os membros do grupo. Há casos em que o pesquisador praticamente “torna-se” um membro da comunidade; em outros, ele talvez seja aceito como pesquisador, mas continue sendo considerado alguém de fora.
Durante muito tempo, era comum a exclusão dos relatos dos riscos ou problemas que precisavam ser superados na pesquisa baseada na observação participante, porém, recentemente, a publicação de memórias e diários de pessoas que desenvolvem trabalho de campo tem tido uma abertura maior em relação a esses temas. Freqüentemente, é preciso enfrentar a sensação de solidão – não é fácil encaixar-se em um contexto social ou em uma comunidade à qual você realmente não pertence. O pesquisador pode sentir-se constantemente frustrado diante da recusa dos membros do grupo de falarem francamente sobre si mesmos; perguntas diretas podem ser bem recebidas em alguns contextos, mas se depara com um silêncio hostil em outros. Alguns tipos de trabalho de campo podem até oferecer perigo físico; por exemplo, um pesquisador que esteja estudando uma gangue de delinqüentes pode ser visto como um informante da polícia, ou ainda envolver-se involuntariamente em conflitos com gangues rivais.
Os trabalhos tradicionais da etnografia mostravam relatos que não continham muitas informações a respeito do observador. Isso ocorria porque se acreditava que um etnógrafo pudesse apresentar quadros objetivos do que ele estudava. Mesmo a pesquisa de Hochschild, escrita no início dos anos 1980, traz poucas informações a respeito da autora ou da natureza de sua ligação com as pessoas que estudou. Recentemente, os etnógrafos começaram a falar sobre si mesmos e sobre a natureza de sua ligação com as pessoas estudadas. Às vezes, pode ser uma questão de tentar avaliar como a raça a classe ou o gênero de uma pessoa afetam o trabalho, ou como diferenças, em termos de poder, entre o observador e o observado distorcem o diálogo que eles estabelecem.



Vantagens e limitações da etnografia

Quando bem-sucedida, a etnografia oferece uma riqueza maior de informações a respeito da vida social do que a maioria dos demais métodos de pesquisa. Observando como são as coisas a partir de dentro de determinado grupo, é provável que tenhamos uma melhor compreensão dos motivos que levam os seus membros a agirem da forma que agem. Talvez possamos também aprender mais a respeito dos processos sociais que se cruzam com a situação em estudo. A etnografia é, muitas vezes considerada um tipo de pesquisa qualitativa, por se interessar mais pelas interpretações subjetivas do que pelos dados numéricos. A etnografia também confere ao investigador uma flexibilidade maior do que a maioria dos demais métodos de pesquisa. O pesquisador consegue se adaptar a circunstâncias novas ou inesperadas e seguir de perto qualquer orientação que possa surgir.
Mas o trabalho de campo também tem grandes limitações. Apenas grupos ou comunidades razoavelmente pequenas podem ser estudadas. O trabalho depende muito da habilidade do pesquisador em ganhar a confiança dos indivíduos envolvidos. Sem essa habilidade, é pouco provável que a pesquisa saia do chão. O contrário também acontece. Um pesquisador pode começar a se identificar muito com o grupo, parecendo-se demais com alguém de dentro dele e perdendo aquela perspectiva de observador de fora do grupo.



Levantamentos

A interpretação dos estudos etnográficos – e de outras formas de pesquisa qualitativa – geralmente envolve problemas de generalização. Como apenas um pequeno número de pessoas participa desses estudos, não podemos ter certeza de que o que for descoberto em um contexto também se aplica a outras situações, ou ainda de que dois pesquisadores diferentes chegariam às mesmas conclusões ao estudarem o mesmo grupo. Em geral, esse é um problema menor na pesquisa feita através de levantamentos, cuja natureza é mais quantitativa. Os levantamentos têm por objetivo a coleta de dados que possam ser analisados estatisticamente para revelar padrões ou regularidades. Se houver um planejamento adequado dos instrumentos do levantamento, as correlações encontradas por meio de um levantamento podem ser generalizadas par um público maior. A pesquisa etnográfica adapta-se melhor aos estudos em profundidade de pequenas frações da vida social; a pesquisa por meio de levantamentos tende a gerar informações menos detalhadas, mas que habitualmente podem ser aplicadas em uma área mais ampla.


Questionários

Os levantamentos, muitas vezes, contam com os questionários como seu principal instrumento para reunir informações. Os questionários podem ser aplicados pessoalmente pelo pesquisador, ou enviados pelo correio ou por e-mail às pessoas que responderão a eles (os chamados “questionários autoaplicáveis). O grupo de pessoas que fazem parte do levantamento ou do estudo é denominado pelos sociólogos de população. Em alguns levantamentos, essa população pode chegar a vários milhares de pessoas.
Nos levantamentos, são utilizados dois tipos de questionários. Alguns contêm um conjunto fechado de questões para as quais existe  apenas uma série definida de respostas possíveis – por exemplo, “Sim/Não/Não Sei” ou “É bem provável/É provável/É pouco provável/É bastante improvável”. A vantagem desses levantamentos é que as respostas são de fácil comparação e contagem, já que há apenas um pequeno número de categorias envolvido. No entanto, como eles não prevêem sutilezas de opinião ou expressão verbal, as informações que rendem provavelmente terão um alcance restrito, quando não enganoso.
Outros questionários são abertos. Os entrevistados têm mais oportunidades de expressarem seus pontos de vista utilizando suas próprias palavras, sem que suas respostas se limitem a alternativas definidas. Os questionários abertos sempre fornecem informações mais detalhadas do que os fechados. O pesquisador pode acompanhar de perto as respostas para uma investigação mais profunda das opiniões do entrevistado. Por outro lado, a falta de padronização significa uma dificuldade maior de comparar as respostas estatisticamente.
Normalmente, os itens de um questionário são organizados de forma a que uma equipe de entrevistadores possa fazer as perguntas e registrar as respostas na mesma ordem predeterminada. Todos os itens devem ser de compreensão imediata, tanto para o entrevistador quanto para os entrevistados. Nos grandes levantamentos nacionais, empreendidos regularmente pelas agências do governo e pelas organizações de pesquisa, as entrevistas são realizadas quase que simultaneamente em todo o país. Os indivíduos que conduze as entrevistas e aqueles que analisam os resultados não poderiam desempenhar um trabalho eficaz se constantemente tivessem que trocar informações entre si para verificar as ambigüidades encontradas nas perguntas ou respostas.
Os questionários também deveriam levar em conta as características dos entrevistados. Será que eles perceberão o objetivo do pesquisador ao fazer determinada pergunta? As informações de que dispõe são suficientes para uma resposta útil? Será que eles irão responder às perguntas? Os termos de um questionário podem ser pouco familiares aos entrevistados. Por exemplo, a pergunta “Qual o seu estado civil?” pode confundir algumas pessoas. O mais apropriado seria perguntar “Você é solteiro, casado, separado ou divorciado?” A maioria dos levantamentos é precedida de estudos-piloto, cuja finalidade é localizar problemas que não foram previstos pelo investigador. Um estudo-piloto é uma experiência na qual apenas algumas pessoas completam um questionário. Qualquer dificuldade pode ser então solucionada antes que se faça o levantamento principal.

Amostragem

Os sociólogos geralmente se interessam pelas características de um grande número de indivíduos – por exemplo, as atitudes políticas da população britânica como um todo. Seria impossível estudar todas essas pessoas diretamente, por isso, nessas situações, os estudos de pesquisa concentram-se na amostragem, ou seleção de uma pequena proporção do grupo total. Normalmente, podemos ter a segurança de que os resultados de uma amostra populacional, desde que esteja escolhia adequadamente, podem ser generalizados para a população total. Estudos envolvendo apenas 2 a 3 mil eleitores, por exemplo, podem dar uma indicação bastante precisa das atitudes e das intenções de boto de toda a população. Mas, para se chegar a essa precisão, eles devem ser uma amostra representativa: é necessário que o grupo de indivíduos represente a população como um todo. A amostragem é um método muito mais complexo do que pode parecer, e os  estatísticos desenvolveram regras para planejarem a natureza e o tamanho corretos das amostras.
Um procedimento particularmente importante empregado para garantir a representatividade de uma amostra é a amostragem aleatória, na qual se escolhe uma amostra de forma que cada membro da população tenha a mesma probabilidade de ser incluído. O modo mais sofisticado de se obter uma amostra aleatória é por meio da atribuição de um número a cada membro da população, utilizando, depois, um computador para gerar uma lista aleatória, a partir da qual se extrai a amostra – por exemplo, selecionando-se um indivíduo a cada dez números nas séries aleatórias.

Vantagens e desvantagens dos levantamentos

Os levantamentos são amplamente empregados na pesquisa sociológica por diversas razões. As respostas dos questionários podem ser quantificadas e analisadas com maior facilidade do que o material gerado pela maioria dos demais métodos de pesquisa; é possível estudar um volume enorme de pessoas, e, quando recebem verbas suficientes, os pesquisadores podem contratar uma agência especializada nesse trabalho de levantamentos para coletar as respostas. O método científico é o modelo para esse tipo de pesquisa, porque os levantamentos dão aos pesquisadores uma medida estatística do seu objeto de estudo.
No entanto, há muitos sociólogos que criticam o método do levantamento, sustentando a idéia de que descobertas que talvez não sejam muito precisas podem aparentar precisão, dada a natureza relativamente superficial da maioria das respostas dos levantamentos. Os níveis de perguntas sem resposta às vezes são tão altos, especialmente nos casos de questionários enviados e recebidos pelo correio. Não é incomum a publicação de estudos baseados em resultados extraídos de um volume um pouco superior à metade daqueles que participam da amostra – ainda que normalmente haja um esforço no sentido de recontatar aqueles que não  responderam ou substituir outros. Pouco se sabe a respeito daqueles que preferem não responder aos levantamentos ou que se recusam a ser entrevistados.


Experimentos

Podemos definir um experimento como uma tentativa de testar uma hipótese sob condições extremamente controladas estabelecidas por um investigador. Os experimentos são, muitas vezes, empregados nas ciências naturais, pois oferecem grandes vantagens sobre os outros procedimentos de pesquisa.  Em uma situação experimental, o pesquisador exerce um controle direto sobre as circunstâncias que estão sendo estudadas. O espaço para a experimentação, na sociologia, é bastante restrito se comparado ao das ciências naturais. Somente pequenos grupos podem ser levados a um ambiente de laboratório, e, nesses experimentos, as pessoas sabem que estão sendo estudadas, podendo não se comportar com naturalidade. Essas mudanças no comportamento dos sujeitos pesquisados são denominadas efeito Hawthorne. Na década de 1930, pesquisadores que estavam conduzindo um estudo sobre a produtividade no trabalho, na usina Hawthorne da Western Electric Company, perto de Chicago, constataram, para sua surpresa, que a produtividade dos trabalhadores continuava a subir, independentemente de quais condições experimentais fossem impostas (níveis de iluminação, padrões de intervalo, tamanho da equipe de trabalho e assim por diante). Os trabalhadores tinham consciência de que estavam sob escrutínio e aceleravam seu ritmo natural de trabalho.
Apesar disso, há casos em que a aplicação dos métodos experimentais pode ser de grande ajuda na sociologia. Um exemplo é o experimento engenhoso, realizador por Philip Zimbardo, que criou uma prisão fictícia, atribuindo o papel de guarda a alguns voluntários estudantes e o de detentos a outros voluntários (1972). Seu objetivo era avaliar até que ponto o desempenho desses diferentes papéis levava a mudanças de atitude e de comportamento. Os resultados chocaram os investigadores: os estudantes que fizeram o papel de guarda logo assumiram uma postura autoritária; eles revelaram uma verdadeira hostilidade em relação aos detentos, mandando neles, maltratando-os e ameaçando-os verbalmente. Já os prisioneiros mostraram uma mistura de apatia e rebeldia geralmente percebida entre prisioneiros de verdade. Esses efeitos foram tão visíveis, e o nível de tensão tão alto, que foi preciso abandonar o experimento em um estágio inicial. Os resultados obtidos, contudo, foram importantes. Zimbardo concluiu que o comportamento em prisões é mais influenciado pela natureza da própria situação prisional do que pelas características individuais dos sujeitos envolvidos.


Histórias de vida

Diferentemente do que ocorre com os experimentos, as histórias de vida pertencem exclusivamente à sociologia e às demais ciências sociais, não tendo espaço na ciência natural. As histórias de vida consistem em um material biográfico reunido sobre indivíduos específicos – geralmente na forma de lembranças dos próprios indivíduos. Outros procedimentos de pesquisa, em geral, não rendem tantas informações quanto o método da história de vida sobre a evolução das crenças e das atitudes ao longo do tempo. No entanto, os estudos que mostram a história de uma vida raramente confiam totalmente na memória das pessoas. Normalmente, fontes como cartas, informações atuais e descrições de jornais são utilizadas para maior detalhamento e para verificar a validade daquilo que os indivíduos informam. Os sociólogos apresentam opiniões divergentes em relação ao valor das histórias de vida: alguns  tem a impressão de que elas são muito pouco confiáveis para fornecer informações úteis, mas outros acreditam que elas oferecem fontes de insight às quase poucos outros métodos de pesquisa são capazes de se igualar.
As histórias de vida têm sido empregadas com sucesso em estudos de grande importância. Um antigo e célebre estudo foi The Polish Peasant in Europe and America¸ realizado por W. I. Thomas e Florian Znaniecki, cujos cinco volumes foram primeiramente publicados entre 1918 e 1920 (Thomas e Znaniecki, 1966). Thomas e Znaniecki conseguiram produzir um relato mais sensível e sutil da experiência da migração do que seria possível sem as entrevistas, as cartas e os artigos de jornais por eles coletados.


Análise histórica

Na pesquisa sociológica, muitas vezes é essencial um panorama histórico, porque freqüentemente sentimos a necessidade de uma perspectiva temporal para dar sentido ao material que coletamos acerca de determinado problema. Os sociólogos geralmente preferem fazer uma investigação direta dos acontecimentos passados. Alguns períodos da história podem ser estudados de forma direta, quando ainda existem sobreviventes da época – como no caso do Holocausto, quando uma infinidade de judeus  e outros indivíduos morreram nos campos de concentração, nas mãos dos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Pesquisar a história oral significa entrevistar pessoas a respeito dos acontecimentos que elas testemunharam em algum momento do seu passado. Uma pesquisa direta desse tipo pode se estender apenas pelo espaço de uma vida, mas os registros antigos preservados estão ganhando cada vez mais importância enquanto fontes sociológicas e históricas. Do contrário, para realizarem pesquisas históricas sobre períodos mais antigos, os sociólogos dependem de documentos e registros escritos, geralmente mantidos em coleções especiais das bibliotecas ou dos arquivos nacionais.
Um exemplo interessante de pesquisa documentária em um contexto histórico é o estudo de Anthony Ashworth sobre a guerra de trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial (1980). Ashworth ocupou-se em analisar como era a vida de homens que precisavam suportar a situação de estar sob fogo constante, vivendo apinhados por semanas a fio. Ele aproveitou uma diversidade de fontes documentárias: histórias oficiais sobre a guerra, incluindo aquelas que relatavam diferentes divisões militares e batalhões, publicações oficiais da época, anotações e registros feitos informalmente pelos soldados, além de relatos pessoais sobre as experiências da guerra. Utilizando tamanha variedade de materiais, Ashworth conseguiu desenvolver uma descrição rica e detalhada da vida nas trincheiras. Ele descobriu que a maioria dos soldados tinha opiniões próprias a respeito da freqüência com que pretendiam se engajar em combates com o inimigo e, muitas vezes, de fato, ignoravam as ordens de seus comandantes. Por exemplo, no Natal, os soldados alemães e os aliados suspenderam as hostilidades, e houve um local em que eles, inclusive, organizaram uma partida informal de futebol.

Uma combinação entre a pesquisa comparativa e a histórica

A pesquisa de Ashworth concentrou-se em um espaço relativamente curto de tempo. Como exemplo de estudo que investigou um período mais longo e que também aplicou uma análise comparativa em um contexto histórico, podemos citar States and Social Revolutions (1979), de Theda Skocpol, um dos mais conhecidos estudos sobre a transformação social. Skocpol incumbiu-se de uma tarefa ambiciosa: elaborar uma teoria sobre as origens e a natureza da revolução, baseada em um estudo empírico detalhado. Ela observou os processos de revolução em três diferentes contextos históricos: a Revolução de 1789 na frança, a Revolução de 1927 na Rússia (que levou os comunistas ao poder e estabeleceu a União Soviética, novamente dissolvida em 1991) e a Revolução de 1949 na China (que criou a China comunista).

Os sociólogos que combinam a pesquisa comparativa com a histórica dedicam-se à chamada análise secundária. Eles revêem uma variedade de fontes documentárias, como registros oficiais e relatos históricos, a fim de identificar as semelhanças e as diferenças entre os casos em questão. Ao adotar essa abordagem, Skocpol conseguiu desenvolver uma explicação convincente da transformação revolucionária, enfatizando as condições estruturais sociais subjacentes. Ela demonstrou que as revoluções sociais ocorrem, em grande parte, de forma involuntária. Antes da Revolução Russa, por exemplo, diversos grupos políticos estavam tentando derrubar o regime existente, mas nenhum deles – incluído os bolcheviques, que acabaram chegando ao poder – anteviu a revolução que aconteceria. Uma série de conflitos e confrontos originou um processo de transformação social muito mais radical do que qualquer um havia previsto.

Um estudo da transformação social: O caso da globalização

Quando estudamos os processos de transformação social em larga escala, é geralmente necessário adotar uma combinação entre a perspectiva comparativa e a histórica. Tomemos como exemplo o estudo da globalização, um dos temas mais importantes enfatizados neste livro. As mudanças envolvidas na globalização abrangem um longo período e afetam milhões e milhões de pessoas. Poderíamos estudar certos aspectos da globalização por meio das técnicas de pesquisa mencionadas anteriormente. A observação participante, os levantamentos e o material que revela a história de vida poderiam, cada um deles, nos permitir uma exploração do significado da experiência do crescimento da globalização para as pessoas, individualmente, dentro de contextos sociais específicos. É possível que nos interessemos, por exemplo, pela maneira como as pessoas se ajustam ao mercado global, no qual a troca de empregos é mais comum hoje em dia do que foi no passado. Todavia, precisaríamos de um estudo comparativo e histórico que tivesse um alcance muito mais amplo para demonstrar graficamente todos os processos globalizantes. Assim como todos os grandes processos de mudança, a globalização tem sido impulsionada por uma mistura de conseqüências planejadas e não-planejadas. Dessa forma, como explica o Capítulo 15 (“A Mídia e as Comunicações de Massa”), a internet surgiu como um projeto organizado dentro do Departamento de Defesa dos EUA, com a finalidade de facilitar a comunicação entre seus diferentes segmentos. O impacto subseqüente da internet, contudo, foi demasiadamente maior do que qualquer pessoa havia inicialmente imaginado ou planejado.



[1] Texto adaptado e formado por trechos do capítulo 20 do livro Sociologia de Antony Giddens. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.

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